POLÍTICA / ALCKMIN SAI NA FRENTE NA BRIGA INTERNA DO PSDB

Alckmin já estava bem posicionado na disputa interna antes mesmo do segundo turno, graças à eleição de seu afilhado político João Doria como prefeito de São Paulo já no primeiro turno, no início do mês. A derrota de João Leite, candidato de Aécio, para Alexandre Kalil (PHS) no reduto eleitoral do senador mineiro, fortaleceu ainda mais a posição do governador paulista
A derrota do candidato do PSDB em Belo Horizonte neste domingo na conclusão da eleição municipal confirmou a dianteira do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sobre o senador Aécio Neves (MG) na disputa interna com vistas à candidatura presidencial em 2018, mas ainda há batalhas a serem travadas no ninho tucano para definir o vencedor desta contenda.

Alckmin já estava bem posicionado na disputa interna antes mesmo do segundo turno, graças à eleição de seu afilhado político João Doria como prefeito de São Paulo já no primeiro turno, no início do mês. A derrota de João Leite, candidato de Aécio, para Alexandre Kalil (PHS) no reduto eleitoral do senador mineiro, fortaleceu ainda mais a posição do governador paulista.

Ainda é cedo, no entanto, para os correligionários de Alckmin cantarem vitória sobre os partidários de Aécio na corrida pela candidatura tucana ao Palácio do Planalto.

"Acho que é claro que o Aécio vai ter que pagar um pênalti complicado" por causa da derrota em Belo Horizonte, disse o cientista político Carlos Melo, do Insper.

"O Alckmin sai fortalecido, mas não sai vitorioso. Foi um round, mas essa batalha ainda não terminou", acrescentou Melo, lembrando que ainda há pela frente a disputa pela liderança da bancada de deputados tucanos em Brasília, a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados no início de 2017 e a escolha do novo presidente do PSDB, também no ano que vem.

O comando partidário é atualmente exercido por Aécio. Embora pelas regras do partido ele não possa disputar um novo mandato, caso consiga colocar um aliado na presidência da legenda, terá influência importante na escolha do presidenciável tucano e até mesmo nas regras de uma eventual prévia em que poderá enfrentar Alckmin pelo direito de ser o candidato do PSDB ao Planalto.

"Aécio perder em casa é simbolicamente ruim, mas a casa não decide, o que decide é o nacional, e ele ainda é forte nacionalmente", disse Melo.

Prefeito eleito de Porto Alegre, o deputado federal tucano Nelson Marchezan Jr. é um nome próximo de Aécio e teve o apoio do senador. Além disso, Alckmin ainda tem o desafio de nacionalizar seu nome, já que disputou a Presidência há 10 anos e, na época, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu por grande margem no segundo turno.

Aécio, candidato em 2014, embora tenha perdido para a petista Dilma Rousseff em Minas Gerais, travou a disputa mais acirrada desde a redemocratização.

"O pessoal do Alckmin vai para cima com tudo do Aécio na disputa pela liderança da bancada e na disputa pela presidência do partido", previu Melo.

Nesse cenário, existe uma boa chance de, uma vez mais, o PSDB ir para a disputa nacional daqui a dois anos rachado.

Especula-se no meio político até mesmo a possibilidade de Alckmin trocar de partido para disputar a Presidência caso não consiga se viabilizar internamente dentro do PSDB. Um dos caminhos apontados é o PSB, partido do vice-governador paulista, Márcio França.

"Não é de se rejeitar totalmente essa possibilidade", disse o cientista político da Unicamp Roberto Romano. "Meu palpite é de que o PSDB vai disputar a eleição presidencial mais uma vez fraturado", disse.

Com um racha à frente ou não, o PSDB foi o grande vencedor da disputa municipal deste ano, elegendo sete prefeitos de capitais, cinco somente neste domingo.

Este desempenho, somado à boa performance no total dos municípios e nas cidades com mais de 200 mil eleitores deverá ser um ativo significativo para o candidato do partido à Presidência em 2018.

"Quem quer que seja o candidato, vai ter muito apoio nas bases, o que é muito importante", disse Romano.

Além disso, como costumam lembrar analistas e estrategistas políticos, eleger um grande número de prefeitos costuma ser um bom indicativo para as eleições das bancadas federais dois anos depois.

FIM DE UM CICLO
O PMDB, partido do presidente Michel Temer, já havia garantido no primeiro turno a manutenção do posto que historicamente ocupa na política brasileira: o de partido com maior número de prefeituras. A legenda encerra o pleito municipal de 2016 com quatro prefeitos de capitais eleitos.

"É um partido que nem perde muito, nem avança", disse Romano, da Unicamp. "Vai continuar sendo uma potência partidária."

Já o segundo turno da eleição municipal, por outro lado, consolidou o desastre eleitoral do PT, partido que foi um dos principais protagonistas na cena política nas últimas décadas e que tem vivido um pesadelo recentemente, com lideranças importantes presas pela operação Lava Jato e a maior delas, Lula, também no alvo dos procuradores.

Os petistas perderam a única capital em que disputaram o segundo turno, Recife, e também saíram derrotados nas outras seis cidades em que tiveram candidatos neste domingo. No primeiro turno, a única capital conquistada pelo PT foi Rio Branco, no Acre.

Melo, do Insper, resumiu a situação do PT de forma muito suscinta: "é o fim de um ciclo". Por: Reuters / Eduardo Simões
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