POLÍTICA / Mesmo em meio à crise, Temer faz um agrado aos militares

A tesoura afiada do governo, que vem fazendo estragos com cortes em praticamente todos os ministérios, vem poupando as Forças Armadas desde o final do ano passado. A previsão é de que, somados os restos a pagar de 2016, o Orçamento dos militares cresça 36% este ano.
A quantia total pode chegar a R$ 9,7 bilhões, soma que o ministro da Defesa, Raul Jungmann, admite que pode ser um pouco reduzida. No ano passado, o gasto total do Ministério da Defesa foi de R$ 87,6 bilhões, o correspondente a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Não há muitos motivos para comemoração, porém, se o aumento for visto pela lupa dos investimentos necessários à modernização de Marinha, Exército e Aeronáutica. Do montante em 2016, o pagamento de pessoal consumiu 73,7%, enquanto o custeio levou outros 13,6%, deixando apenas 10,4% para o investimento propriamente dito.

Muitas vozes também criticam o valor desse desembolso, quando áreas essenciais como Saúde, Educação e Segurança passam por graves problemas, e alegam que o Brasil — país sem vocação belicista —poderia obter mais retorno com a canalização dos recursos nessas áreas. Seja como for, o Orçamento para Defesa no Brasil é uma gota no oceano se comparado aos dos Estados Unidos: em 2015, foram "modestos" US$ 600 bilhões, dos quais apenas 25% em gastos com pessoal.

O jornalista especializado em assuntos militares e editor da revista "DefesaNet", Nélson Francisco Düring, afirma que o reforço vem com alguns anos de atraso, isso porque  o que o governo fez no final do ano não foi o aumento no gasto, mas o desembolso de restos a pagar, ou seja havia atrasos de pagamentos de até quatro, cinco anos. Em virtude disso, segundo o especialista, alguns projetos estavam com sérios problemas, caso da aeronave de transporte KC-390 da Embraer, que teve atraso de um ano em seu cronograma. Ainda assim, ele considera muito bem-vindo esse aumento no final de 2016.

Apesar do reforço, Düring diz que há uma deformação expressiva no perfil de gastos na área de Defesa que ainda assim está entre os 13 maiores do mundo. "Temos uma parcela expressiva de compra de equipamentos, treinamento mas a maior parte da constituição da folha é salário, o soldo dos militares, e uma parte residual vai para custeio", diz o especialista, que aponta ainda um outro problema.

"Nos últimos tempos, temos visto que os governos estaduais estão se omitindo de realizar seu trabalho e sutilmente jogando isso nos ombros do governo federal. Temos visto as Forças Armadas agindo no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amazonas e em vários locais cobrindo essas lacunas que as forças estaduais não estão conseguindo fazer. Somos um país em desenvolvimento com enormes carências e sempre fica aquela dúvida: Vale a pena investir em Defesa, mas se não tivéssemos investido em Defesa estaríamos em uma situação de caos total no país", finaliza o especialista.

Por: br.sputniknews.com
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