BAHIA / Hora da vingança: População usa nomes de políticos na queima do Judas, o traidor

Festa vai ser na noite deste sábado, conforme tradição católica
Bonecos de Judas representam personagens da imaginação popular e são mantidos pela velha tradição de vingança contra os traidores / Fotos: Acorda Cidade
Uma antiga tradição dos brasileiros, especialmente do povo nordestino, a queima do Judas vai ter vários personagens ligados à história política do Brasil neste sábado(15). Os bonecos fabricados e recheados de bombas caseiras espalhados por várias partes, vão representar políticos envolvidos na Operação Lava Jato.

Os fabricantes não perderam tempo e aproveitaram o momento em que o país vive uma profunda crise política e moral e colocaram à venda o Judas representando nomes tradicionais, muito conhecidos dos brasileiros. E não tem como não encontrar algum dos envolvidos, dizem os comerciantes.

Ao contrário de serem uma verdadeira escultura dos representados, os bonecos apenas simbolizam cada um, portanto, não precisam ser nada parecido com cada um que ele leva o nome. “Se chegar aqui procurando por qalquer um a gente encontra na prateleira. Tem gordinho, baixinho, alto, magro, moreno, mais claro, de bigode, sem bigode, enfim, tem todo mundo”, explica um comerciante.

Na verdade, o nome dado a cada boneco vai muito da imaginação de cada comprador ou de cada comunidade onde a festa vai ser realizada. Os bonecos são feitos de materiais recicláveis, como madeira e papelão. Não há preocupação de uma boa “modelagem” de rosto ou corpo para parecer com alguém. “O problema é que ele acaba sendo alguém que a gente quer e pronto”, explica Domingos Silva, que mora em um povoado perto de Simões Filho e que adquiriu um “Judas” pra fazer a festa esta noite.

Em Feira de Santana uma loja está vendendo os bonecos de Judas, que custam entre R$ 250 a R$ 300. De acordo com o proprietário da loja, Aládio Marques, os bonecos não têm características de pessoas reais, mas quem compra procura semelhanças. “O pessoal brinca muito a nível de política, então as pessoas colocam os nomes que querem e procuram semelhanças”, afirma.

Segundo Aládio, este ano as vendas estão superando o mesmo período do ano passado e ele ainda espera que neste sábado o movimento seja ainda mais intenso. Ele afirma que as pessoas dos distritos de Feira e até mesmo de outras cidades do interior da Bahia compram os bonecos.

Os bonecos vêm da região de Cruz das Almas e Lage e a tradição é forte, principalmente no interior. Sábado que é o dia especifico e a expectativa é vender muito mais”, diz o comerciante.

Pela tradição, a queima do judas acontece em uma festa feita em praça pública. O boneco é amarrado em um poste ou local que fique no algo, à vista de todos e com o povo em volta. A partir de um determinado momento, começa a ser lida a sentença de morte, condenando-o ao enforcamento.

Antes, porém, é feita a leitura da “herança” deixada pelo Judas. Pessoas conhecidas da comunidade são as “premiadas” pelo condenado. O interessante é a leitura dessa herança, sempre formada por versos, o que torna o momento interessante e divertido.

Após a leitura é anunciada a morte do Judas e o corpo é incendiado, começando, então, as explosões que são sempre acompanhadas de muita festa.

Por: agoranabahia.com.br
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