POLÍTICA / Léo Pinheiro da OAS, que irá depor em processo do tripléx, teve várias delações negadas por não incriminar Lula

O que dirá Leo Pinheiro, dono da OAS, ao juiz Sergio Moro, nesta quinta (20), após ter seu acordo de cooperação com a Lava Jato rejeitado por “inocentar Lula”? Essa é a dúvida que permeia a nota da equipe do ex-presidente sobre a situação delicada em que se encontra o executivo, preso desde o ano passado.
Em junho de 2016, a Folha de S. Paulo noticiou que investigadores da Lava Jato não aceitaram fechar o acordo de delação com Pinheiro porque achavam “pouco crível” as versões do empresário sobre os casos triplex e sítio de Atibaia. Nos dois casos, Pinheiro inocentou Lula das acusações feitas pela força-tarefa.

A Folha apurou o seguinte:
Segundo Pinheiro, as obras que a OAS fez no apartamento tríplex do Guarujá (SP) e no sítio de Atibaia (SP) foram uma forma de a empresa agradar a Lula, e não como contrapartidas a algum benefício que o grupo tenha recebido.

Pinheiro narrou que Lula não teve qualquer papel na reforma do apartamento e nas obras do sítio, segundo a Folha apurou. A reforma do sítio, de acordo com o empresário, foi solicitada em 2010, no último ano do governo Lula, por Paulo Okamotto, que preside o Instituto Lula. Okamotto confirmou à PF que foi ele quem pediu as obras no sítio.

a reforma no tríplex do Guarujá, pela versão de Pinheiro, foi uma iniciativa da OAS para agradar ao ex-presidente. A empresa gastou cerca de R$ 1 milhão na reforma do apartamento, mas a família de Lula não se interessou pelo imóvel, afirmou ele a seus advogados que negociam a delação, em versão igual à apresentada por Lula.

No processo que está nas mãos de Moro, Lula é acusado de receber o triplex no Guarujá da OAS de maneira velada, porque o imóvel permanece em nome do grupo. Em troca, o governo do petista teria garantido à OAS três contratos com a Petrobras, por obras nas refinarias REPAR e RNEST.

Até agora, nenhum dos executivos da OAS ouvidos por Moro no processo apontaram Lula como o dono do triplex.

Em nota divulgada no portal oficial de Lula, a equipe do presidente destacou a pressão em torno de Leo Pinheiro. “É neste contexto que o empresário vai falar a Sérgio Moro na próxima quinta. Preso, dentro de um processo em que também é réu e, segundo seus advogados, negociando uma delação para sair da cadeia, que caberá a Sérgio Moro decidir se ele será ou não merecedor.

Independentemente do que vier a dizer Léo Pinheiro”, acrescentou, “fato é que a Polícia Federal grampeou o celular do empresário, derrubou seus sigilos fiscal, bancário e de correspondência, leu todos os seus emails e mensagens trocadas por telefone celular. Em nenhum desses locais encontrou informação de que o tríplex seria de Lula, tampouco sobre o dito caixa geral mantido pela construtora para fazer pagamentos indevidos ao PT. Que a verdade prevaleça.

Por: jornalggn.com.br
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