MUNDO / Ataque em boate de Istambul deixa ao menos 39 mortos: entenda o que se sabe até agora

O atentado ocorreu em uma casa noturna de Istambul na noite de Ano Novo/ EPA
Um ataque na noite de Ano Novo em uma boate em Istambul, na Turquia, deixou ao menos 39 mortos, segundo o ministro do Interior do país, Suleyman Soylu.

O atirador abriu fogo contra o público às 1h30 do horário local (21h30 no horário de Brasília) enquanto o público comemorava a virada do ano na casa noturna Reina.

Ele teria agido sozinho, segundo o governo, e ainda não foi encontrado. O ataque deixou 69 feridos, dos quais 4 estariam em estado grave.

Até agora, 21 vítimas fatais foram identificadas, informou Soylu. Havia cerca de 15 estrangeiros entre elas, de países como Líbano, Jordânia, Israel, Bélgica, França e Arábia Saudita, segundo relatos.

A motivação do ataque ainda não foi esclarecida.

"Foi um massacre, uma verdadeira selvageria. A caçada ao terrorista está em curso. Esperamos capturá-lo em breve", disse o ministro.

"Um caçada ao terrorista está em curso. Esperamos que ele seja capturado em breve."
Ao menos 39 pessoas morreram e 69 ficaram feridas no ataque/ RETERS
Os primeiros relatos publicados pela imprensa diziam que o atirador estaria fantasiado de Papai Noel, mas o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, negou essa informação.

Imagens de câmeras de segurança mostram o suspeito vestindo um casaco preto e atirando do lado de fora da boate. Yildirim também afirmou que o homem deixou sua arma no local.

O governador de Istambul, Vasip Sahin, disse que o criminoso matou um policial e um civil antes de entrar no local e começar a atirar contra os frequentadores.

"Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, meu marido caiu sobre mim", disse Sinem Uyanik à agência de notícias AP. "Tive que sair debaixo de vários corpos para escapar de lá. Foi aterrador."

A Reina fica à margem do Bósforo, estreito que marca o limite dos continentes asiático e europeu na Turquia. É um lugar glamouroso, frequentado por ricos e famosos.

Havia cerca de 700 pessoas ali no momento do ataque, segundo relatos, e algumas pessoas teriam pulado na água para fugir.
A boate fica na margem do Bósforo, estreito que divide a Europa e a Ásia na Turquia/ RETERS
Equipe da casa noturna posa para foto em imagem de arquivo/ RETERS
'Corpos sobre mim'
Sobreviventes do ataque a uma boate em Istambul, na Turquia, descreveram como uma noite de comemoração se tornou um massacre.

O jogador de futebol Sefa Boydas disse à agência de notícias AFP que teve de caminhar sobre corpos para sair da boate, à qual havia chegado dez minutos antes.

"Ainda estávamos nos acomodando quando surgiu muita fumaça e poeira na porta. Ouvimos tiros. Muitas garotas desmaiaram na hora", disse ele.

Presente na boate no momento do ataque, Sinem Uyanik também contou ter vistos muitos mortos no local e disse que seu marido, Lutfu Uyanik, ficou ferido, mas não corre risco de morte.

"Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, meu marido caiu sobre mim", disse ela do lado de fora do hospital Sisli Hospital na manhã deste domingo.

"Tive de erguer muitos corpos que estavam sobre mim para sair de lá."

Outros clientes da boate também relataram seu choque diante do desenrolar do ataque.

"Estávamos aqui para nos divertir, mas, de repente, tudo virou caos e uma noite de horror", disse Maximilien, um turista italiano, à AFP.

Ismail Celebi estava do outro lado da rua e afirmou ter visto pessoas "correndo, se pisoteando" após ouvir um tiro.

"Pelo que pudemos ver, as pessoas que saíam estavam muito feridas. É difícil de acreditar", afirmou ele à AP.

Autoridades disseram que o atirador disparou primeiro contra um policial e um civil que estava do lado de fora da boate antes de entrar.

Mehmet Dag testemunhou isso e disse ter ficado frente a frente com o criminoso.

"Ele atirou contra os seguranças e atingiu a maioria deles. Em seguida, entrou, e não sei o que aconteceu depois. Ouvi sons de tiros e, após dois minutos, uma explosão", afirmou.

"Fiz contato visual com ele, que olhava para nós e sorria."

Autoria
Alguns relatos publicados na mídia até agora dizem que haveria mais de um atirador, no entanto, a polícia disse acreditar se tratar de apenas um.

Testemunhas teriam dito à agência de notícias Dogan que o autor do ataque estaria falando "árabe", mas não há uma confirmação oficial sobre isso.

Apesar de não haver uma declaração oficial sobre a autoria, os indícios apontam até agora para o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) como responsável pelo ato, afirma Rengin Arslam, do serviço da BBC em turco e que está em Istambul.

"Nos ataques realizados nos últimos dois anos, militantes curdos tinham militares e policiais como alvos, enquanto o EI mirava em civis", disse Arslam. "Líderes do EI fizeram ameaças à Turquia e convocaram seus militantes a atacar o país."

A Turquia começou a realizar operações na Síria contra extremistas do EI e grupos curdos há quatro meses.

Em um comunicado, o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, disse que a Turquia "lutaria até o fim contra o terrorismo".

"Estão tentando instalar o caos, desmoralizar nosso povo e desestabilizar o país com ataques abomináveis que têm civis como alvos", disse ele.

"Vamos manter calma, nos unir ainda mais e nunca ceder a essas artimanhas sujas. Faremos o que for necessário para garantir a segurança dos cidadãos e apaz na região."

Reação internacional
De férias no Havaí, o presidente americano Barack Obama foi um dos primeiros líderes globais a se manifestar sobre o ataque, declarando seu pesar pelas vítimas e dizendo que a assistência necessária será prestada às autoridades turcas.
A polícia segue em busca pelo atirador/ AFP
A chanceler alemã Angela Merkel disse que se tratou de um ataque "desumano e perverso contra pessoas que queriam celebrar o Ano Novo juntas".

O papa Francisco havia preparado um discurso para hoje, Dia da Paz Mundial no calendário católico, sobre combater a violência com a não violência.

Em sua fala, ele comentou sobre o ataque: "Infelizmente, a violência nos atingiu nessa noite de esperança. Com dor, presto meus sentimentos ao povo turco e rezo pelas muitas vítimas e feridos e por toda a nação em luto".

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu que haja uma cooperação internacional para combater o terrorismo, segundo o jornal The Jerusalem Post, e disse que a "maior ameaça ao futuro do mundo vem do extremismo islâmico".

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou ser "um dever coletivo combater as agressões terroristas". A Rússia e a Turquia atuam na Síria em lados opostos do conflito.

Istambul estava em estado de alerta, com 17 mil policiais vigiando a cidade, após uma série de ataques nos últimos meses, muitos dos quais foram realizados pelo EI e militantes curdos.

O mais recente ocorreu em 10 de dezembro, quando duas explosões do lado de fora de um estádio de futebol deixou 44 mortos. Um grupo curdo assumiu sua autoria.

No mesmo mês, o embaixador russo Andrei Karlov foi morto por um policial turco enquanto discursava na capital Ancara.

O autor do ataque disse se tratar de uma vingança pelo envolvimento da Rússia no conflito na cidade síria de Aleppo.

Por: www.bbc.com
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